Produção total de cerveja cresce 3,3% em 2011
Em um ano com reajuste de impostos para bebidas e salário mínimo sem
aumento real, a indústria de cervejas no Brasil não esperava bons
resultados. A espectativa de 2011 era igualar a produção à do ano
anterior. Previa-se até queda. Os mais recentes dados do Sistema de
Controle de Produção de Bebidas (Sicobe) da Receita Federal, contudo,
mostram aumento de 3,37% no volume fabricado no País.
É a primeira vez, desde que o Sicobe foi implantado no primeiro
trimestre de 2009, que é possível comparar a produção de um ano com o
outro. Os números da Receita, considerados os mais precisos do mercado,
mostram que a produção alcançou 13,3 bilhões de litros – 433 milhões a
mais que os 12,8 bilhões de litros de 2010. As cervejas especiais,
segundo especialistas, foram as responsáveis por salvar o ano.
Cervejas para a classe B
“As classes C e D continuam consumindo mais cerveja, mas as marcas
mais baratas. Nesse cenário, o que a classe B faz? Busca um diferencial
que, no caso, são as cervejas especiais ou premium”, diz Adalberto
Viviani, especialista da Concept Consultoria, focada no setor de
bebidas.
Viviani explica que nesse segmento estão marcas de cerveja artesanais
– ou “gourmet” -, feitas com malte puro, como a Colorado, de Ribeirão
Preto. Produtos menos elaborados, com cereais não maltados (milho,
arroz) – mas com posicionamento de preço acima das marcas populares –
também fazem parte desse grupo. A Budweiser, da Ambev, e a Devassa, da
Schincariol (Kirin) são um exemplo.
Procura por cervejas especiais ainda vai aumentar
Essas cervejas são as que devem apresentar maior ritmo de crescimento
também em 2012, segundo análise do Banco Fator. “O aumento no consumo
de produtos premium será o grande diferencial de resultados nos próximos
anos, concomitantemente ao crescimento total de volume de cerveja”, diz
um relatório da instituição.
“Não temos os números do ano fechados ainda, mas com certeza serão
bons porque batemos recordes de produção em outubro e novembro”, diz
Patrick Zanello, mestre cervejeiro da Colorado. “Chegamos a 100 mil litros ao mês, marca que nunca alcançamos”, completa ele. A cerveja Paulistânia, produzida pela importadora Bier & Wein
em parceria com a indústria de bebidas Contini, também teve alta de
vendas em 2011. “Crescemos 55% em volume”, diz Marcelo Stein, diretor da
empresa.
Importações bateram recordes
As importações de cerveja, de acordo com Stein, bateram recordes no
ano passado. Citando números oficiais, Stein afirma que a importação
saltou de 22,1 milhões de litros em 2010 para 44,4 milhões de litros em
2011.
Os maiores volumes, afirma, foram trazidos por grandes cervejarias
globais com atuação no Brasil, como Ambev (Anheuser-Bush InBev) e
Heineken. Os países de origem da maior parte das importações são a
Holanda, Uruguai, Argentina e México.
Na Bier & Wein, uma das maiores e mais antigas importadoras do
País, os volumes cresceram 30% em relação a 2010. “Os brasileiros estão
aprendendo a cultura da cerveja e descobrindo novos sabores”, declara
Stein.
Juntas, importadas e especiais, essas cervejas representam de 4% a 6%
do consumo nacional, conforme estimativas do setor. “Nos próximos três
ou cinco anos, esse porcentual deve chegar a 9%, afirma Viviani.
Fonte: Brejas.com.br
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