A
Kaiser mudou. Mudou de rótulo, de público e agora quer mudar a imagem,
com uma campanha que será iniciada neste domingo (provavelmente durante o
Programa do Faustão ou Fantástico, na Rede Globo) e que terá duração de
um ano. A marca vai apostar no crescimento da classe média para ampliar
sua participação e por isso lança um plano ousado de comunicação em
mídias tradicionais, digitais e no ponto de venda – para garantir um
crescimento de até 8% em 2012.
Para
a empresa, trata-se de dar nome (Kaiser) e sobrenome (Heineken) ao
produto. “A Kaiser tem nome e sobrenome, já foi líder no passado, mas os
últimos anos não foram tão brilhantes para ela", disse Nuno Teles,
vice-presidente de Marketing da Heineken, durante o lançamento do
produto nesta quinta-feira (24/11). Sem informar números de investimento
ou projeção de volume de vendas para o próximo ano, a Heineken Brasil
limita-se a informar que a marca deve “crescer bastante”, especialmente
com a proximidade do verão. “É um dos maiores projetos da companhia em
termos globais”, afirmou Vanessa Brandão, gerente da marca Kaiser. “A
expectativa dentro da companhia é de um salto agora no verão, por isso
estamos fazendo o lançamento agora”.
A participação da
Heineken Brasil no mercado nacional é de 7%. Este ano a empresa cresceu
10%, percentual acima do crescimento médio do mercado, que está em -1%. A
marca Kaiser cresceu 4%. “A nossa expectativa para o ano que vem é que o
mercado cresça 5% e nós queremos ficar dois a três pontos porcentuais
acima disso”, afirmou Nuno Teles, vice-presidente de Marketing da
Heineken Brasil. Há também uma expectativa de que o avanço deve ser mais
reforçado no sul e no norte/nordeste do país, onde os indicadores
econômicos mostram um salto maior devido ao crescimento econômico.
Segundo
os executivos, embora a estratégia esteja bem planejada, tudo vai
depender da demanda. O plano inicial é produzir Kaiser nas oito unidades
da Heineken, que têm uma capacidade de 20 milhões de litros. O
processo, agora sob supervisão da companhia holandesa, inclui 850
checagens de qualidade – inclusive com envio de barris para a sede em
Amsterdã.
Desenvolvida pela Fischer, a campanha começa e termina com a
marca Heineken e tem o objetivo de atestar a qualidade da nova Kaiser.
Essa “participação especial” tem origem na pesquisa desenvolvida em 11
capitais para identificar quem seria o consumidor da cerveja e quais
seus valores.
O resultado mostrou que esse público está na “nova classe
média”. Nenhuma novidade, já que essa faixa da população já está na mira
de companhias de todos os setores, de telefonia celular a aviação.
Para
falar com esse consumidor, o rótulo ganhou letras brancas e um brasão –
parte da nova identidade visual criada pela agência britânica The Brand
Union. Mas é nos ingredientes e na produção que a Heineken bate mais
forte para dizer que “essa é uma cerveja de qualidade”, ou como afirma
seu slogan, “uma cerveja bem cervejada”.
“Esse brasileiro
com quem vamos falar nunca esteve com a auto-estima tão alta”, afirmou
Mario D’Andrea, sócio da agência Fischer & Friends. “Ele tem orgulho
de ser quem é e ele usa muito as redes sociais para se expressar”. Por
isso, a campanha vai utilizar diferentes plataformas e deve ganhar mais
espaço online em breve. “Acabamos de lançar a fan page da Heineken e na
sequência virá a da Kaiser”, disse Vanessa Brandão.
A
marca deve investir pesado em sua presença no futebol. A Copa Kaiser, de
futebol amador, ganhará mais visibilidade, e o patrocínio da
Libertadores também será reforçado. "O futebol é a grande diversão do
brasileiro e faz todo sentido que estejamos presentes", disse Teles.

A cervejaria holandesa Heineken anunciou a compra da mexicana
Femsa, controladora da Kaiser, Bavaria e Sol, em janeiro do ano passado.
Na época, o negócio foi anunciado como de 5,3 bilhões de euros. No
mercado brasileiro, a Femsa ocupava o quarto lugar em fatia de mercado.
Na
operação, a Heineken ficou com 100% da Femsa no México – o que lhe
abriu as portas para o mercado americano – e também 100% da Femsa
Brasil. O acordo foi aprovado pelo Cade em abril de 2010. A Femsa ficou
com 20% das ações da holding.
No
primeiro semestre deste ano, a companhia divulgou um lucro de 694
milhões de euros, um valor 5,7% maior que o período anterior - mas
admitiu que o ano poderia trazer um resultado mais baixo do que em 2010.
Em agosto, o grupo admitiu que embora pudesse se beneficiar de um
ambiente econômico positivo na América Latina, África Subsaariana e
Ásia-Pacífico, enfrentaria "eventos desafiadores para as vendas em
partes da Europa e nos EUA, dada a atual incerteza econômica, o alto
desemprego e a fraca confiança do consumidor".
A Heineken está presente em 172 países e opera 140 cervejarias em mais de 70 países. Em 2010 vendeu 205 milhões de hectolitros.
Fonte: Época Negócios
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Deixe seu comentário.