Depois da conturbada negociação para assumir o controle da Schincariol,
a japonesa Kirin começa a dar seus primeiros passos práticos na
cervejaria brasileira. Na semana passada, executivos da Kirin foram até a
sede da Schincariol, em Itu, no interior paulista, para uma
apresentação formal. Era o primeiro ato da tomada de controle da Kirin,
que adquiriu os 50,5% dos irmãos Adriano e Alexandre Schincariol, por 4
bilhões de reais.
E já há um roteiro traçado para os próximos capítulos. Adriano
Schincariol, atual presidente da companhia, fica no cargo até janeiro.
Depois, permanecerá mais nove meses como consultor para ajudar no
processo de transição. Segundo apurou EXAME.com, a Kirin
decidirá já em novembro quem comandará a Schincariol. E há a
possibilidade – ainda que remota – de que o controle seja dividido por
dois executivos indicados pela empresa japonesa.
Os diretores operacionais – entre eles, Gilberto Schincariol Júnior,
que junto com seus irmãos José Augusto e Daniela tem 49,5% da empresa e
desaprovam a compra – continuarão em seus cargos (desde que queiram). E
não haverá uma “invasão japonesa” na administração da Schincariol.
Apenas um pequeno grupo de dois ou três executivos deve ficar no Brasil.
“Apesar das brigas na família, a boa administração da empresa chamou a
atenção da Kirin. Por isso as diretorias serão mantidas”, diz uma fonte
envolvida na transição.
A redação de um acordo de
acionistas – documento que poderia ter minimizado as querelas entre os
sócios – está fora dos planos da Kirin. Então, a tomada de decisões
continua a favor da maioria, no caso, os japoneses.
“Gilberto deu muito atenção à briga e deixou de lado a operação comercial, que é onde a Schincariol mais perdeu”, diz a fonte, sobre a perda da vice-liderança para a cervejaria Petrópolis.
A concorrente, aliás, já anunciou que pretende instalar uma fábrica na
região nordeste nos próximos dois anos. Atualmente o grupo concentra
suas vendas nas regiões Sudeste e Centro-Oeste.
Para despistar concorrentes e a imprensa, as negociações entre Kirin e
Schincariol foram conduzidas em Nova York, um local no meio do caminho
para brasileiros e japoneses. Todo o processo aconteceu em pouco mais de
um mês, em meio a especulações sobre o apetite de concorrentes como
Heineken, SAB Miller e Carlsberg em abocanhar a Schincariol.
Fonte: Exame
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